Este Blog já foi símbolo da Revolução Russa, do Golpe Militar de 64, e talvez de algum Anime festival. Hoje ele é uma exposição de textos soltos, a fim de entreter leitores, sem fins lucrativos, apesar de serem aceitas doações. Espero que se sintam em casa, e façam como eu, leia bebendo um café recém passado. Afinal, acomode-se, pois bons textos não devem ser lidos as pressas, e sim apreciados.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Stop the Clocks
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Jaded
Sou o Pierrot das noites de lua. Mas as noites já não tem mais luar. E o céu é escuro e pesado, e as estrelas se escondem.
Sou o Paladino das noites escuras. Mas a espada pesa quando empunhada. É mais confortável na bainha, ou até mesmo fora da cinta. Sempre me consideirei o protetor dos fracos e oprimidos, mas cada vez mais tenho visto que não faço a mais insignificante diferença: o esforço que demanda tentar proteger os outros não vale a pena. Tudo continua exatamente igual, como se nada houvesse sido feito, apenas eu que me encontro um pouco mais decepcionado com o mundo.
Nada flui, Heráclito. Tudo continua a exata mesmice, independente do que se faça. Sábio era Álvaro de Campos, que dizia que a única conclusão é morrer.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Morpheus
O ato de empacotar as coisas parece, aos seus olhos, com a limpeza que se faz no quarto de quem já morreu: Muito se vai, pouco se fica, e só resta a poeira. Mas até a poeira parece carregar um acento de nostalgia.
Isso fica, isso vai, e pronto. Nenhum ruído se ouve, a não ser o arrastar da mala pela casa. Todos dormem, todos já se despediram. A bagagem é posta próxima à porta.
Ele olha as estrelas. Há muitas delas. Um exagero, já que nunca conseguimos ver todas. Mas parece que nesta noite elas brilham mais, como de despedissem. Mas é bobagem ,afinal, estrelas não se despedem.
Tudo pronto, os últimos detalhes resolvidos, ele resolve se deitar. Ajeita a cama e deita. Fecha os olhos, mas não adianta. Com muito custo, pega no sono.
Agora sim está em casa.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Knotty mind, twisted words...
Dou passos incertos dentro do meu quarto. Impaciente, coloco uma música. Nada. Coloco um filme chocante. Nada. A muralha se ergue novamente. E é feita da pedra negra, numenoriana, indestrutível... Da última vez, pensei que conseguira derrubá-la, porém os alicerces ficaram, e como o feito por Annatar, se reconstruíram e se tornaram mais fortes e duradouras.
Mas o que mais se destaca é o medo. O pouco medo que ainda resta. Medo de voltar à obliviante situação de alguns anos atrás. Medo de que as criaturas encapuzadas cuja presença pode ser sentida já estejam aí a mais tempo do que esperava. Medo de que o dano seja permanente, e que minha alma já não tenha solução.
Meus erros, cada vez mais frequentes, já não incomodam. A vida, num todo, já não tem tanta importância. A grande sensação de indiferença já começa a se apossar dos cantos mais recônditos de minha mente. É só questão de tempo para que não haja mais qualquer rastro do eu recente - que agora tenho dúvidas se era de fato meu eu verdadeiro, e não essa criatura de que cada vez mais volto a me assemelhar.
Se afastam de mim. Não quero os deixar ir. Mas isso foge ao meu controle. Pois que vão. Tudo se vai, em algum momento, de toda forma. E o Paladino e o Pierrot se contraem de medo da grande besta - faminta e voraz - que sai da escuridão...
sábado, 17 de março de 2012
Desinteresse regrado de ilusão da vida cotidiana
sexta-feira, 9 de março de 2012
Amor
Ok, eu não vou mais lutar. Serei todo seu, pelo tempo que quiser, mas apenas hoje. Por essa noite, me faça seu escravo, me mostre seus segredos, e me deliciarei com suas loucuras...
Te amo, álcool.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Little poison on my mind
domingo, 4 de março de 2012
Omnibus
Esses dias, eu estava em profunda desilusão pelo ser humano. Cheguei à conclusão que o mundo não acabará nem em fogo divino (como os religiosos esperam) nem com o apocalipse zumbi (como os nerds tanto desejam), mas sim pelo declínio do próprio ser humano. Como bem disse Álvaro de Campos, “a alma humana é porca como um ânus”, e isso ainda não havia ocorrido a 2ª Guerra Mundial.
Tenho visto seres humanos errarem de forma grotesca. Serem absurdamente desonestos, vis – e serem aceitos pela sociedade. Sério, já tive um professor que proclamava contra pobres e gays dentro de sala de aula. Hoje, ele é desembargador. Enquanto isso, vejo seres humanos – heróis – serem esquecidos, ignorados, considerados nada mais que lixo. Pessoas brilhantes são execradas, e idiotas assumem as funções importantes...
E aí estava eu, no ponto de ônibus cismando sobre esses assuntos quando, chegando o ônibus, cumprimento curtamente o trocador, que me responde com um sorriso e um bom dia sinceros, gratuitos. E não tinha obrigação: era inclusive esperado que fizesse como todos os seus colegas, ou seja, ignorado meu cumprimento e, com cara de cu, liberasse a roleta.
E foi nesse momento que a minha esperança pelo ser humano foi restaurada.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Mittelmäßigkeit
Há cerca de 7 dias me fizeram um comentário relativo à mesmice de meus atos. E esse comentário, feito em circunstância jocosa, sem aparentemente ter o dolo de me ofender, de fato ofendeu, e doeu fundo. E eu percebi que me doeu tanto justamente por também eu sentir esse tédio, por eu saber – mesmo que não admita – que sou uma pessoa deveras previsível e medíocre.
Cometo os mesmos erros todos os dias. Insisto nas mesmas soluções ineptas que me fizeram fracassar tantas vezes. Sigo todo dia o mesmo ritual de desilusão, mas quando alguém me taxa de ordinário, me sinto ofendido. Sei que a verdade não poderia ser diferente, mas ainda assim algum senso hipócrita enterrado fundo em minha mente – intangível – se faz latejar, e pede atenção.
Pois bem. Esse post nada mais é do que um desabafo. Mas o que são todos os posts aqui se não uma luta pessoal contra seus próprios demônios e moinhos de vento?