terça-feira, 7 de agosto de 2012

Homo lassus lassus


Há meses não publico aqui no blog. Não publico pois há meses não consigo escrever nada superior a algumas linhas desconexas: pensamentos filosóficos e desesperadores que ferroam minha mente. Qualquer coisa superior a a um parágrafo é sistematicamente tolhida de meus pensamentos... Portanto aqui farei um esforço hercúleo para conseguir - pelo menos - relatar os fatos.

Acontece que o tédio me dominou. Tudo o que escrevo me parece requentado, mastigado e cuspido, completamente clichê e monótono. Acredito – ou melhor, quero acreditar – que estou apenas sofrendo do mal da águia velha: aquela que, para que continue a viver, deve se retirar a um canto reservado e passar pelo doloroso processo de renovação das penas e bico... Pois é. Como disse, prefiro acreditar nisso do que admitir que o pouco dom que me restava me abandonou de vez.

A verdade é essa: Não consigo escrever. Já tentei me inspirar, já tentei me obrigar, mas nada reluz diante dos meus olhos: Tudo se assemelha a algo que já escrevi ou li. Tudo é enfadonhamente previsível.

Já me exauri. Já falei tudo de mim, mas mesmo assim não sei quem eu sou. Não sei nada, e não sei se quero um dia descobrir...

terça-feira, 31 de julho de 2012

C'est la vie

Olá a todos. Faz tempo que não escrevo aqui. Não tenho o que escrever, a sempre desordeira vida comigo me deu uma trégua de maneira permanente. Mas infelizmente, apenas infelizmente, aconteceu algo comigo hoje. Não direi mentiras, não era a pessoa mais próxima de mim, não falava muito com ela, apesar de lembrar particularmente de algumas conversas específicas sobre a tristeza do mundo e de como a vida não é legal como desejávamos que fosse. 


Não tenho muitas palavras ao que falar. Não deveria, afinal, não é algo que se fale. Não é fácil aceitar a verdade, mesmo que tenha sido a apenas pouco tempo que soube. Nunca é fácil. A morte talvez por ser a única coisa certa que temos é a coisa mais difícil de aceitar. E parece doer mais dessa vez. Não porque sou tão próximo da pessoa, por ficar a sensação agora que pouco pude fazer, e que não pude tentar ajudar. Apenas por não saber o que se passava com a pessoa.


Terminarei esse texto com palavras dela, e mais uma vez percebendo a angústia que sempre é a minha escolha, de saber que não existe um lugar melhor. Não existe a luz ao fim do túnel. Mas na esperança que essa tenha sido a decisão certa para ela, e que isso pode a fazer um pouco mais tranquila das coisas desse nosso mundo. Como um DFETA, o mínimo que posso fazer a você agora Nath é esse pequeno texto, e desejar que isso tenha sido a sua melhor escolha, mesmo que parece a pior para nós, que ainda seguimos nesse mundo, lembrando e sofrendo.


"Eu queria poder ter consertado todos os corações partidos do mundo, ter visto todas as dores evaporarem, ter curado os males da humanidade. mas isso não me era possível devido a uma anormal fragilidade que me desfragmentava por dentro e fazia eu me afastar." 




LMN, Droog's Sentence: "Você só percebe a importância de algo após perder algo"

sábado, 23 de junho de 2012

Relatos casuais de um estudante de Direito Ato IV

Olá a todos. Tenho que assumir, estou mesmo um pouco isolado daqui. Não que eu esqueça desse blog, pelo contrário. Como já disse anteriormente, não gosto de escrever coisa meia boca, e se hoje for meia boca, garanto que não será por culpa minha. Sabe, o maior problema de escrever para outras pessoas é que no momento que você libera o assunto, ele já não é mais seu, a interpretação é livre.

Um exemplo claro disso? Vamos supor que eu escreve: "Então os porcos caminharam sobre a Terra, e o meu passado se revelou mais sombrio do que realmente parecia". Claro, pode ter milhões de significados para quem lê, e para mim é apenas uma frase solta que escrevi querendo demonstrar isso. Duvido muito que dois leitores (se é que este blog tenha dois leitores) interpretem da mesma maneira, mas enfim, o que é dado ao público não é mais de posse do autor. Se alguém interpretar de maneira melhor que a minha o meu texto, quem sou eu para afirmar a verdade?

Dê ao povo o que é do povo, e a César o que é de César; Não que eu seja César, muito pelo contrário, quem me dera ter metade do poder e da influência que o César teve. Mas enfim, seria assim a minha vida, ou seria diferente? Só um pequeno devaneio solto. Acho que deveria pensar assim, como seria se eu fosse o maior? E a única coisa que penso: Seria um tédio. Eu não escreveria coisas para pensar nesse blog.




LMN, Droog's Sentence:"It's just pepper in your eyes, veck."

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Im Westen nichts Neues

Olá a todos. Muitos devem estar esperando a segunda parte da viagem a SP. Não postarei. Censurei tanto que não fará sentido. Coisas que não devem sair, por respeito a várias pessoas. Mas talvez futuramente, eu conte, como um caso engraçado, com outros nomes, enfim. Ando escrevendo menos aqui, isso é verdade. Nada de novo no Front. O nome original do livro é Im Westen nichts Neues, que traduzido ao pé da letra significa Nada de Novo a Oeste, onde era o front, enfim.

Foi um dos livros que mais me traz lembranças. Pequenas lembranças. Faz muito tempo que o li, mas lembro de algumas descrições de frentes de guerra. Devia ter uns 16 anos, e era fissurado em Guerra, e talvez foi o livro que me provou que Guerra não era algo legal. Sangue, mortos, um falso patriotismo, e vidas sendo desperdiçadas para algumas seres humanos tenham ou mais dinheiro ou mais território que outros mesmo seres humanos.

Fiquei humanizado com os anos. Sou contra violência, contra a morte, e acho que todos temos direitos. Isso é uma ironia. Tendo em vista fortes convicções que tenho. Quem é o homem para decidir sobre a vida de outro homem? Ninguém, somos apenas seres que seguem o destino, poeiras espaciais, que pensamos ser algo. E nada demais aconteceu no meu front novamente.



LMN, Droog's Sentence:"In Osten nichts Neues"

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Windmills


Cai a chuva. Agora uma chuva leve, quase garoa. As pequenas gotas tocam o rosto, e escorrem pela pele. Ao redor das luzes dos postes, um halo avermelhado que se reproduz nas poças no chão. Luzes estas, que de tão sutis, desaparecem ao menor obstáculo. O barulho dos passos no asfalto molhado – com um sapato mais molhado ainda - ecoa pela rua vazia. O barulho longínquo de trânsito pode ser ouvido, mais nada.

E ele aprecia a chuva. Sente a cada gota o toque macio e gélido da donzela pluvial, e deseja com todas as suas forças que as gotas que escorrem levem todo o seu sentimento. Com as roupas encharcadas e o corpo doendo, de nada servia a sensação de abandono que – ironicamente – não o deixava nunca.

Em seus pensamentos vagantes e sombrios, cisma sobre seus amigos, ou pelo menos aqueles que assim ele se referia. Não consegue evitar em cogitar que nunca tivera amigos de fato, apenas pessoas que o aturaram durante certo intervalo de tempo. Acontece que, para alguns, esse tempo se esgotou, restando apenas uma lembrança vaga e insípida do que havia.

Basta. Nem mais um pensamento nesse sentido. Passou a mão pelo rosto, expulsando as gotas – salgadas ou não – que persistiam em rolar livremente pela face. A chuva aumentara. Mas quando se é Paladino, a noite nunca é escura demais. Então que a espada não enferruje na bainha, mas que não seja guardada sem ter agido. E que venham os gigantes!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

High Flying Bird Act I

Olá a todos. Claro, posso muito bem colocar o texto direto, mas resolvi colocar uma resenha em três parte sobre minha viagem para São Paulo. Espero que vocês se divirtam, não quis fazer apenas um querido diário, e sim algo um pouco mais humorado em algumas partes. Tudo o que aconteceu é verídico, inclusive o Anão de cartola, mas algumas partes foram dramatizadas mesmo. Alguns detalhes ficaram para a versão estendida e deluxe, que será enviada em PDF a alguns felizardos (bah, até parece)


"Tudo começou num domingo. Final de noite, malas sendo arrumadas. Mochila, na verdade. E tudo já estava combinado. Quem diria que o dia chegou? Ainda estava difícil de acreditar, afinal, era a viagem para a mesma cidade que uns meses antes me propiciou momentos mágicos, e dessa vez para ver um dos meus ídolos de perto.
Na verdade a viagem foi tranquila, e por que não seria? Especial Noel Gallagher na TAM, um lanchinho gostoso. Digo, a pior parte foi me achar em Congonhas, Aeroporto que por sinal, mesmo com anos e anos de experiências, nunca tinha pousado nele, mas ao achar a Laselva, e os telefones públicos, foi menos mal. Encontrar o Eric-Kun, e depois de um tempo o JP, e a viagem de táxi até o hostel, onde nos instalamos.
Claro, no primeiro dia a principio foi um dia tranquilo. Uma volta na cidade, cada um por si, eu e Eric por nós, e JP e suas amigas na deles. Queria ter passado mais tempo com o JP, mas enfim, não sou dono de ninguém. Nada como ficar conversando no frio com o Eric, a espera de uma amiga nossa, no vão do MASP. Infelizmente, nesse dia, a Bueno desmarcou, mas encontramos com a Pam, e fizemos algo simples mesmo. Beber a noite inteira (com a adesão do JP no futuro) e praticamente virar a noite. Assuntos? Oasis (cujas brigas se tornaram focos da noite), política, sexo, amor, cotidiano, piadas ruins (contadas por mim) e tantas coisas que é difícil citar sem entendiar leitores. Tal dia culminou comigo e com o Eric indo a Estação das Clínicas levá-la pela manhã, e tomando um café da manhã no caminho na volta. E no dia seguinte?
Começou a saga de verdade. Primeiro, eu e o JP acordamos cedo (se é que dormimos direito) para tietar o Noel no hotel. Claro, nada pode ser fácil, pois ambos de vermelho (Liverpool, sempre) resolvemos passar em frente ao MASP. Como todo Primeiro de Maio, o PSTU faz um daqueles protestos que só servem para eles fingirem existir, e nisso todos de vermelho, e a polícia observando. Eu, um pouco medroso, JP um pouco mais, passamos rápido, afinal, quem quer tomar soco de policial antes de tietar seu ídolo favorito?
E na frente do Hotel, milhares de seguranças, incluindo um anão de cartola, para conter os fãs. Dois fãs. E demorou horas até o primeiro sinal de vida de algo. Jeremy Stacey, baterista do Noel Gallagher's High Flying Birds, sai do hotel caminhando para comer algo, e claro, eu e meu amigo tiramos uma foto, o melhor baterista do mundo, só de tocar ao lado de Deus. E falando em Deus, Noel chega em seu carro. Eu ainda dou um grito, e imagino ele parando e acenando. Claro, ele não chegou a fazer isso, mas vê-lo de costas talvez seja suficiente para um fã como eu.
E depois, almoçar com Eric e Carol, e depois encontrar a Juh. E foi uma tarde agradável, e depois de tanta coisas, fomos para o The Pub. E a segunda parte da saga fica para depois, onde realmente São Paulo começa."


LMN, Droog's Sentence:"Cold and frosty morning...."

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Stop the Clocks

Olá a todos. A caneta desliza sempre pela mão, e as vezes demora anos para tocar o chão. Girando no ar, ao som de varias músicas. E você não aguenta, e lágrimas descem do seu rosto. Quem é você? Não é mais o garoto inocente, mas queria ser. Não é o garoto que tinha desapego no mundo, mas queria ser. Você se sente traído pelo mundo, o mundo que você resolveu confiar. E o mundo te dá as costas. As pessoas, os amores, a família, os amigos, a juventude, e quem sabe os acordes da canção?

O mesmo acorde da canção, a agulha pulando deixando tudo instável. Você queria realmente que o relógio pare, e a caneta não giraria em direção ao chão. Permaneceria no ar, e você observaria e derramaria lágrimas apenas. E a lágrima se trava nos olhos, e não desliza. Os relógios não param. O mundo não para. Você é obrigado a seguir. E quer manter o passado. Mesmo que a noite caia. Vou seguir, sorrindo, mesmo que o sorriso seja falso. Como o mundo.

Nunca dê a mão ao mundo. Nunca dê a mão a ninguém. Nunca. Você confia. E o mundo te trai. E você segue caminhando. Não quero mais saber da morte, afinal, talvez eu já esteja morto. Como saberia? Nunca se sabe, as vezes sou apenas um cadáver seguindo rindo e dizendo o significado da palavra gay pelo mundo.

Eu queria ser feliz, mas como?


LMN, Droog's Sentence:"After three years, why?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Jaded

Me sinto cansado. Não tanto fisicamente, nem tanto psicologicamente... Só cansado. Talvez um pouco desiludido da vida. Cansado talvez de sonhar, e ver meus sonhos fugirem por entre seus dedos... Ou talvez nem isso, porque nunca os tive assim tão próximos, a ponto de estarem em meus dedos. Cansado de insistir as mesmas coisas com as mesmas pessoas. Cansado talvez de fingir ser alguém completamente díspar do meu eu verdadeiro. Ora, apenas em raras ocasiões consigo me desvencilhar da máscara social, que pesa tanto em meu rosto... E me dói a colocar uma vez mais, sorrir de soslaio - um sorriso amarelo e sem ânimo, de quem não aguenta mais fingir...

Sou o Pierrot das noites de lua. Mas as noites já não tem mais luar. E o céu é escuro e pesado, e as estrelas se escondem.

Sou o Paladino das noites escuras. Mas a espada pesa quando empunhada. É mais confortável na bainha, ou até mesmo fora da cinta. Sempre me consideirei o protetor dos fracos e oprimidos, mas cada vez mais tenho visto que não faço a mais insignificante diferença: o esforço que demanda tentar proteger os outros não vale a pena. Tudo continua exatamente igual, como se nada houvesse sido feito, apenas eu que me encontro um pouco mais decepcionado com o mundo.

Nada flui, Heráclito. Tudo continua a exata mesmice, independente do que se faça. Sábio era Álvaro de Campos, que dizia que a única conclusão é morrer.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Morpheus

Ele arruma as malas. Está partindo. Na verdade não sabe se sua casa é a partida ou a chegada. Talvez nenhuma das duas.

O ato de empacotar as coisas parece, aos seus olhos, com a limpeza que se faz no quarto de quem já morreu: Muito se vai, pouco se fica, e só resta a poeira. Mas até a poeira parece carregar um acento de nostalgia.

Isso fica, isso vai, e pronto. Nenhum ruído se ouve, a não ser o arrastar da mala pela casa. Todos dormem, todos já se despediram. A bagagem é posta próxima à porta.

Ele olha as estrelas. Há muitas delas. Um exagero, já que nunca conseguimos ver todas. Mas parece que nesta noite elas brilham mais, como de despedissem. Mas é bobagem ,afinal, estrelas não se despedem.

Tudo pronto, os últimos detalhes resolvidos, ele resolve se deitar. Ajeita a cama e deita. Fecha os olhos, mas não adianta. Com muito custo, pega no sono.

Agora sim está em casa.